Seis e Doze
Onze minutos, toda manhã, sempre às seis e doze — leia até a última linha e depois mande este conto para alguém que goste de mistério.
Contos publicados no site.
Onze minutos, toda manhã, sempre às seis e doze — leia até a última linha e depois mande este conto para alguém que goste de mistério.
Ao limpar a escrivaninha do marido depois da morte dele, Zenaide encontra uma caixa de charuto cheia de cartas nunca enviadas — décadas de coisas que ele nunca conseguiu dizer em voz alta.
Um porteiro em São Paulo cultiva uma horta na cobertura do prédio. Sem perceber direito, ela vira o único ponto de contato entre vizinhos que moram porta a porta há anos sem nunca ter se falado.
Um caminhoneiro no interior de Goiás pega um jovem carona numa estrada vicinal que ele evita há anos. A conversa acaba desenterrando uma decisão antiga que ele nunca conseguiu enterrar direito.
Beatriz herda o relógio de chão da avó e descobre que, toda vez que chega o aniversário da morte dela, os ponteiros andam uma hora inteira ao contrário.
Um zelador noturno de hospital em Porto Alegre pede pra sempre limpar a mesma ala, no mesmo quarto onde a esposa dele passou os últimos dias. Uma nova ocupante do quarto muda o sentido daquele hábito.
Um pescador na Bahia recebe a notícia de que o filho quer se mudar pra cidade grande e não sabe se o que sente é medo de ficar sozinho ou medo de que o filho repita a vida dele.
Um contador no Recife começa a receber pelo correio pequenos objetos de domingos que ele não lembra de ter vivido. As datas, ele confere, são todas reais.
Cecília herda a fazenda de café do pai e planeja vender rápido. Um homem que trabalhou a terra a vida inteira sem nunca ter nada assinado em seu nome complica essa conta.
Um maquinista aposentado ainda caminha toda semana pelos trilhos desativados perto de sua cidade em Minas Gerais. O filho acha que é hora de parar. A linha, de vez em quando, parece discordar.