Realmente.
Vejo pessoas caminhando,
pessoas chorando
ou sorrindo,
compartilhando
ou tomando,
dormindo
em sua dúvida,
alimentando-se
de sua esperança
sem esperança—
angústia,
desespero,
êxtase,
amor,
ou pelo menos
uma pequena
vitória.
Vejo pessoas
por toda parte,
tentando,
porque elas
são movidas
por sua
única natureza:
sobreviver,
mesmo quando
sua alma
não tem nada.
Really.
I see people walking,
people crying
or smiling,
sharing
or taking,
sleeping
in their doubt,
feeding
on their hopeless
hope—
anguish,
despair,
ecstasy,
love,
or at least
a small
victory.
I see people
everywhere,
trying,
because they
are driven
by their
only nature:
to survive,
even when
their soul
has nothing.
Leitura do poema
Em “Realmente.”, o poeta observa o movimento humano em suas formas mais comuns e mais profundas. Pessoas caminham, choram, sorriem, compartilham, tomam e dormem entre dúvidas e esperanças. A enumeração cria a sensação de uma multidão passando diante dos olhos, cada pessoa carregando uma história invisível. Emoções opostas convivem porque a vida raramente oferece um sentimento de cada vez.
Por trás de todos esses gestos existe um impulso simples e imenso: sobreviver. O poema não limita essa sobrevivência ao corpo; ela também acontece quando a alma parece vazia e, ainda assim, a pessoa continua tentando. Há ternura nesse olhar, pois ele não julga a multidão. Reconhece a coragem silenciosa presente em cada pequena vitória e lembra que continuar, mesmo sem respostas ou reservas interiores, já pode ser uma forma profunda de esperança.
Reading the Poem
In “Really.” the poet watches human movement in its most ordinary and profound forms. People walk, cry, smile, share, take, and sleep among doubts and hopes. The unfolding list creates the feeling of a crowd passing before our eyes, each person carrying an invisible story. Opposing emotions live together because life rarely offers us only one feeling at a time.
Behind all these gestures lies one simple and immense impulse: to survive. The poem does not limit survival to the body; it also happens when the soul seems empty and a person continues trying anyway. There is tenderness in this gaze because it does not judge the crowd. It recognizes the quiet courage within every small victory and reminds us that continuing, even without answers or inner reserves, can itself become a profound form of hope.
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