Hoje É o Dia Seguinte de Ontem
Hoje é o dia seguinte de ontem,
um dia preenchido pelo tempo que ele leva.
Somos um,
todos nós, e ninguém é todos,
mas sabemos,
compreendemos,
que somos vida.
Today Is the Next Day of Yesterday
today is the next day of yesterday
one day filled with the time it takes
we are one
all of us, and no one is everyone,
but we know
we understand
that we are life
Leitura do poema
O poema transforma a passagem mais comum do tempo numa pequena revelação. “Hoje” não surge separado do que veio antes: é o dia seguinte de ontem, carregando consigo a duração necessária para existir. Nessa aparente simplicidade, a voz encontra um modo delicado de lembrar que a vida não acontece fora do tempo, mas dentro de cada instante que nos conduz ao próximo.
Ao dizer “somos um”, o poema aproxima todas as vidas sem apagar aquilo que torna cada pessoa única. Ninguém pode ser todos, mas todos compartilham a mesma certeza essencial: estamos vivos e reconhecemos essa condição uns nos outros. O breve percurso entre ontem e hoje torna-se, assim, uma afirmação de pertencimento — cada ser é singular, porém participa do mesmo movimento contínuo da vida.
Reading the Poem
The poem transforms the most ordinary passage of time into a quiet revelation. “Today” does not appear separate from what came before: it is the day after yesterday, carrying within it the time required to exist. Through this apparent simplicity, the voice gently reminds us that life does not happen outside time, but within each moment that leads us toward the next.
In saying “we are one,” the poem draws all lives closer without erasing what makes each person unique. No one can be everyone, yet everyone shares the same essential certainty: we are alive, and we recognize that condition in one another. The brief passage from yesterday to today thus becomes an affirmation of belonging—each being is singular, yet participates in the same continuous movement of life.
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