Outra Alma
o poema
atravessa a fronteira,
mas em vez
de apresentar
um passaporte,
faz nascer
outra alma.
Another Soul
the poem
crosses the border,
but instead
of presenting
a passport,
it grows
another soul.
Leitura do poema
“Outra Alma” imagina o poema como viajante capaz de atravessar fronteiras sem documentos. Ele não pede permissão nem prova sua origem; ao chegar ao outro lado, cria uma nova alma. A imagem celebra a liberdade da poesia para circular entre línguas, lugares e experiências.
Essa nova alma pode ser o poema transformado pela leitura ou o próprio leitor transformado por ele. Toda travessia modifica aquilo que atravessa. Em poucos versos, o texto mostra que a poesia não apenas transporta significado: ela produz presença. Onde uma fronteira separava, nasce algo novo, íntimo e vivo, que já pertence aos dois lados.
Reading the Poem
“Another Soul” imagines the poem as a traveler able to cross borders without documents. It asks no permission and proves no origin; upon reaching the other side, it creates another soul. The image celebrates poetry’s freedom to move among languages, places, and experiences.
That new soul may be the poem transformed by reading or the reader transformed by it. Every crossing changes what crosses. In a few lines, the poem shows that poetry does more than carry meaning: it produces presence. Where a border once separated, something new, intimate, and alive is born, belonging to both sides.
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