O Que Não Fazemos
Eu faço, você faz,
Todos nós fazemos.
O que não fazemos.
Desta janela,
Olhando de dentro da minha alma,
Vejo tudo o que não foi feito.
Vejo a paisagem
De imagens não realizadas,
Reflexos
Em um espelho eterno
Do que nós
Não fazemos.
E eu entendo,
Não fazemos
O que fizemos.
Porque tudo
Não é para ser feito,
Porque tudo
Sempre foi feito.
What We Don’t Do
I do, you do,
We all do.
What we don't do.
From this window,
Looking from inside my soul,
I see all that was not done.
I see the landscape
Of undone images,
Reflections
On an eternal mirror
Of what we
Don't do.
And I understand,
We don't do
What we did.
Because all
Is not to be done,
Because all
Was always done.
Leitura do poema
Da janela interior, o olhar encontra uma paisagem formada também pelo que permaneceu sem realização. Imagens incompletas e reflexos atravessam um espelho que parece não ter começo nem fim.
Entre fazer e não fazer, passado e possibilidade se confundem. O último movimento não oferece uma conclusão: deixa no espelho a dúvida sobre aquilo que ainda poderia acontecer e aquilo que, de alguma forma, sempre esteve concluído.
Reading the Poem
From the inner window, the gaze encounters a landscape shaped also by what remained unrealized. Unfinished images and reflections cross a mirror that seems to have neither beginning nor end.
Between doing and not doing, past and possibility become indistinguishable. The final movement offers no conclusion: it leaves in the mirror a question about what might still happen and what, somehow, has always been complete.
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