Sou Poeta
Uma máquina
de humanidade,
sem
as engrenagens
da humildade,
enquanto crio
meu ritmo,
meu alívio,
minhas suspeitas
palavras—
recipientes
da causa da poesia.
I Am a Poet
A machine
of humanity,
without
the gears
of humility,
as I create
my pace,
my relief,
my suspect
words—
containers
of poetry’s cause.
Leitura do poema
O poeta surge como uma máquina feita de humanidade. A imagem reúne duas coisas que parecem opostas: o mecanismo e o sentimento. Essa máquina, porém, não funciona com engrenagens de humildade nem com peças previsíveis. Seu movimento vem do ritmo próprio, do alívio procurado e das palavras que ele mesmo observa com alguma desconfiança.
As palavras são chamadas de recipientes porque carregam algo maior do que sua aparência. Elas guardam a causa da poesia: a necessidade humana de dar forma ao que pesa, inquieta ou pede passagem. O poema apresenta a criação menos como um título de prestígio e mais como um modo de funcionamento — uma maneira inevitável de transformar experiência em linguagem.
Reading the Poem
The poet appears as a machine made of humanity. The image brings together two things that seem opposed: mechanism and feeling. Yet this machine does not run on the gears of humility or on predictable parts. Its motion comes from its own pace, the relief it seeks, and the words it regards with a measure of suspicion.
Words are called containers because they carry something larger than their appearance. They hold the cause of poetry: the human need to give form to whatever weighs upon us, unsettles us, or asks to be released. The poem presents creation less as a prestigious title than as a way of functioning—an unavoidable means of turning experience into language.
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