Ilustração do poema “Silencio”

Silencio

português

Silencio

Por que somos
obsecados
em preencher
cada segundo
com ruído
quando a arquitetura
mais poderosa
é construída
a partir do silêncio total?

Será que uma sala
está realmente morta
se a poeira
e a luz
ainda mantêm
sua forma?

Estamos invadindo
uma câmara
em decomposição
para medir
o ponto preciso
onde o som morre.

Você consegue
suportar o som?

português

Leitura do poema

“Silencio” questiona nossa necessidade de ocupar todos os instantes com ruído. Em vez de tratar a quietude como vazio, o poema a imagina como arquitetura: uma força capaz de sustentar a forma de uma sala por meio da poeira e da luz. O espaço aparentemente morto continua presente, guardando sinais delicados de sua própria existência.

A entrada na câmara em decomposição parece uma expedição ao limite entre som e silêncio. Medir o ponto em que o som morre é procurar uma fronteira quase impossível, onde o que ouvimos se transforma no que sentimos. A pergunta final devolve ao leitor o paradoxo do poema: talvez suportar o som exija primeiro aprender a permanecer em silêncio. A quietude, então, não é ausência, mas uma experiência intensa que pede coragem e atenção.

english

Reading the Poem

“Silence” questions our need to fill every moment with noise. Rather than treating stillness as emptiness, the poem imagines it as architecture: a force able to preserve the shape of a room through dust and light. The apparently dead space remains present, holding delicate signs of its own existence.

Entering the decaying chamber feels like an expedition to the border between sound and silence. Measuring the point where sound dies means searching for an almost impossible boundary, where what we hear becomes what we feel. The final question returns the poem’s paradox to the reader: perhaps handling sound first requires learning to remain in silence. Stillness is therefore not an absence but an intense experience asking for courage and attention.

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