Permanecemos Antiguidade
No multiverso
do desejo
queria que tudo fosse perfeito,
para que a raiva que sinto
da nossa tolice humana,
que nem se percebe,
enfim se desfizesse.
Enquanto o futuro
se torna passado,
nunca nos realizamos.
Nunca vamos além;
permanecemos
como sempre fomos.
Mesmo agora,
carregando bits e bytes,
zeros e uns,
dentro de um algoritmo,
permanecemos antiguidade.
Sinto muito
dizer estas palavras,
mas eu tentei —
como poeta,
como homem,
como pessoa —
guardando a esperança
de que ainda possamos evoluir.
We Remain Antiquity
In the multiverse
of desire
I wish all things were perfect,
so the anger I feel
for our unrealized
human folly
would fade.
As the future
turns into past,
we are never fulfilled.
We never go beyond;
we remain
as we have always been.
Even now,
carrying bits and bytes,
zeros and ones,
inside an algorithm,
we remain antiquity.
I am sorry
to say these words,
but I have tried —
as a poet,
as a man,
as a person —
holding on to the hope
that we can still evolve.
Leitura do poema
O poema começa com um desejo muito humano: que tudo fosse perfeito, para que a raiva diante dos nossos erros pudesse, enfim, ir embora. Logo vem a constatação dura — o futuro vira passado, e nós continuamos os mesmos. Mesmo cercados de tecnologia, de bits, bytes e algoritmos, carregamos as mesmas falhas antigas. A modernidade mudou as ferramentas, mas não necessariamente o coração.
Ainda assim, o poema não termina em desistência. Na última estrofe, o poeta pede desculpas pela franqueza e confessa que tentou — como poeta, como homem, como pessoa. Esse pedido de desculpas é, no fundo, um gesto de esperança: quem ainda se incomoda com o que não muda é porque acredita que a mudança é possível. Fica o convite ao leitor: evoluir não depende da máquina, depende de nós.
Reading the Poem
The poem opens with a deeply human wish: that everything were perfect, so the anger we feel at our own mistakes could finally fade. Then comes a hard realization — the future keeps turning into the past, and we stay the same. Even surrounded by technology, by bits, bytes and algorithms, we carry the same old flaws. Modern life has changed our tools, but not necessarily our hearts.
Still, the poem does not end in defeat. In the last stanza, the poet apologizes for his honesty and admits that he has tried — as a poet, as a man, as a person. That apology is, at its core, an act of hope: whoever is still troubled by what doesn’t change still believes change is possible. The invitation is left to the reader: growing as people doesn’t depend on machines; it depends on us.
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