Eu Espirro Poesia
isto é o que
eu faço.
eu espirro poesia,
um sintoma
de uma humanidade doente.
não afirmo
ser saudável—
como homem
ou poeta.
a poesia sai,
como sinal,
designa,
o reflexo
de todos nós.
I Sneeze Poetry
this is what
I do.
I sneeze poetry,
a symptom
of a sick mankind.
I do not claim
to be healthy—
as a man
or a poet.
poetry comes out,
as it signs,
assigns,
the reflection
of us all.
Leitura do poema
“Eu Espirro Poesia” apresenta a escrita como um impulso involuntário do corpo. O poema não é fabricado com solenidade; ele irrompe como um espirro, sinal de uma humanidade adoecida e também tentativa de expor aquilo que ela carrega. O humor da imagem convive com uma percepção séria sobre o mundo.
O poeta não se coloca acima das pessoas que observa. Ele admite participar da mesma condição e transforma sua própria imperfeição em passagem para a linguagem. A poesia sai como sintoma, sinal e reflexo de todos nós. Nesse gesto, aquilo que poderia parecer doença também produz reconhecimento: as palavras tornam visível um mal-estar compartilhado e permitem que ninguém precise senti-lo completamente sozinho.
Reading the Poem
“I Sneeze Poetry” presents writing as an involuntary impulse of the body. The poem is not manufactured with solemnity; it bursts out like a sneeze, a symptom of an ailing humanity and an attempt to expose what it carries. The humor of the image lives beside a serious perception of the world.
The poet does not place himself above the people he observes. He admits sharing the same condition and turns his own imperfection into a passage for language. Poetry emerges as symptom, sign, and reflection of us all. In that gesture, what might seem like illness also produces recognition: words make a shared unease visible and allow no one to feel it entirely alone.
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