Um Sonho Tem Meu Dia
um sonho tem meu dia—
a vigília
sobre mim.
a realidade
está desperta.
Eu não.
às vezes
me pergunto
se o sonho
é triste
ou feliz,
se ele tem
um sonho,
sonhando
meu sonho—
um sonho
de completude,
perpetuamente
se tornando
a metáfora
que a realidade
se tornou.
A Dream Has My Day
a dream has my day—
the watch
over me.
reality
is awake.
I am not.
sometimes
I wonder
if the dream
is sad
or happy,
if it has
a dream,
dreaming
my dream—
a dream
of completeness,
perpetually
becoming
the metaphor
reality
became.
Leitura do poema
“Um Sonho Tem Meu Dia” inverte a relação habitual entre quem sonha e aquilo que é sonhado. Aqui, o sonho possui o dia, enquanto a realidade permanece desperta e o eu poético parece dormir. Essa troca cria um mundo em que sonho e vigília observam um ao outro, sem que seja possível dizer com certeza qual deles é mais real.
O sonho também pode sonhar, sentir tristeza ou felicidade e desejar completude. Cada camada abre outra, como espelhos voltados um para o outro. A realidade acaba se tornando metáfora, enquanto o sonho ganha presença. O poema convida o leitor a perceber que nossa vida desperta talvez seja atravessada por desejos que sonham conosco, dando forma ao que ainda estamos nos tornando.
Reading the Poem
“A Dream Has My Day” reverses the usual relationship between the dreamer and what is dreamed. Here, the dream possesses the day while reality remains awake and the poetic voice seems asleep. This exchange creates a world where dream and waking watch one another, and neither can be called more real with certainty.
The dream may also dream, feel sadness or happiness, and desire completeness. Each layer opens another, like mirrors facing each other. Reality becomes metaphor while the dream gains presence. The poem invites the reader to notice that waking life may be crossed by desires that dream along with us, quietly shaping what we are still becoming.
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